Imagem e texto: uma relação de amor e ódio

Ao abrir um jornal ou uma revista, o que você vê primeiro: a imagem ou o texto? Provavelmente, a resposta será “o retrato ou a foto”. Mas isso significa que a imagem é mais importante do que a história escrita? Essa pergunta é uma velha conhecida nas redações de jornais, nas agências de comunicação e nas salas de aula de universidades, gerando até picuinhas entre os envolvidos.

Foi em 1993 que João Rangel iniciou sua carreira de fotojornalista do Valeparaibano – hoje O Vale. Atualmente professor de fotografia da UNITAU (Universidade de Taubaté), ele concorda que havia uma certa rivalidade e que cada categoria puxava a sardinha para o seu lado. “Os repórteres eram obrigados a cursar a faculdade para terem o registro profissional. Os fotojornalistas, não”, relata. Segundo ele, essa diferença gerava uma “séria discrepância entre o nível de conhecimento e de cultura entre as duas categorias”. A discussão ganhava fôlego com um discurso da época: “Os fotojornalistas diziam que suas imagens comunicavam muito mais do que os textos e que éramos mais audazes e corajosos”. Para Rangel, no entanto, fotógrafos e jornalistas devem atuar de forma conjunta. “Certa vez, li em um livro que o melhor repórter é aquele que vê como o fotógrafo e o melhor fotógrafo é aquele que escuta como repórter… Talvez esteja aí o equilíbrio”, afirma.

No ambiente da comunicação corporativa, a opinião de Rangel encontra ressonância. Para o publicitário e diretor da Kojio Comunicação, Marcelo Kneip, os recursos precisam estar ligados. “Uma boa peça usa o texto de forma inteligente para contribuir para o entendimento, sem ser redundante. Anúncios pobres acabam fazendo uma ‘fotolegenda’ e apenas explicando a ideia, o que torna o conceito pouco elaborado e simplório”, explica. Kneip lembra que, com o dia a dia intenso das agências, torna-se um “desafio” juntar os dois recursos: “Prazos apertados são rotina; então, para se destacar, tem que conseguir aliar a necessidade à criatividade.”

Ao decidir pelo curso de jornalismo, Vivian Ferraz tinha em mente as aulas de fotografia – ministradas, inclusive, pelo professor João Rangel. Agora, no quinto semestre na UNITAU, a aluna acredita que os “novos jornalistas” serão os responsáveis por consolidar essa visão da importância da união entre imagem e texto. “Acho que devemos investir em textos mais bem elaborados. E, se soubermos fazer ‘Aquela foto’, com ‘A’ maiúsculo, seria ótimo, pois é ela que conduzirá o leitor a abrir a publicação e ler a matéria; é ela que irá chocá-lo!”

Como muitas coisas na vida, foto e texto devem andar sempre juntos. A conversa entre esses elementos garante o princípio fundamental da comunicação: passar a mensagem de forma clara e objetiva. É como canta a música: “futebol sem bola, Piu-piu sem Frajola, sou eu assim sem você.”

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