Por trás da estatueta do Oscar

Por Luiz Malheiros – jornalismo Communicare Assessoria

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“Há uma relação muito estreita entre a premiação, que oferece o espetáculo, e os meios de comunicação de massa. E, com as redes sociais, o evento tornou-se mais popular ainda.” Edilene Maia (foto: Comunicação Unitau – Fernandinha Célia)

Enquanto os smokings bem cortados e os vestidos elegantes – além das luvas vermelhas da Lady Gaga – voltam para o guarda-roupa, o mundo discute os vencedores da 87ª edição do Oscar. Promovida pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, a premiação aconteceu na noite de domingo (22), em Los Angeles, e foi marcada pelo reconhecimento dos melhores filmes e atores do último ano. Mas será que as famosas estatuetas douradas foram para as mãos corretas?  O que vale, no final, é a qualidade das produções concorrentes ou o lobby nos corredores da Academia?

Para nos ajudar a responder a essas perguntas, conversamos com a professora de Linguagens Midiáticas do departamento de Comunicação Social da UNITAU (Universidade de Taubaté), Edilene Maia. Fã de filmes desde a adolescência, ela traz o cinema também para dentro da sala de aula, pois acredita que a sétima arte “pode ser usada para ensinar”.  Sobre o Oscar, a jornalista ressalta que a premiação, apesar do cunho político, é uma grande forma de reconhecimento, influenciando todo o universo da comunicação.

Luiz Malheiros: Essa foi a 87ª edição desse prêmio. O que mudou no mundo do cinema ao longo desse período?

Edilene Maia (EM): Mudou muita coisa, principalmente com relação à tecnologia e à estética, entre outros aspectos, como plástica, filmagem e edição. Mas um bom roteiro sempre será um bom roteiro, mesmo sem tecnologia. O Oscar foi, primeiramente, criado pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas para atrair a atenção do público para esse mundo. O prêmio ‘nasceu’ político e assim continua até nos dias de hoje. Na minha opinião, ocorreram poucas aberturas e inovações, mas ainda é um prêmio reconhecido no mundo inteiro e tem a credibilidade por seu viés tradicional.


LM:
Todos os anos, alguns filmes aclamados pela crítica não entram na lista do Oscar, enquanto outros medianos ou até mesmo ruins acabam marcando presença. Qual a sua explicação para isso? Na sua opinião, a Academia tem critérios claros para escolha dos premiados?

EM:A escolha dos filmes que concorrem ao Oscar passa por várias etapas e chega-se a uma equação matemática. Há um grande envolvimento de profissionais da área e vários fatores fazem parte desse processo, como contratos, lobby e marketing. É por isso que, geralmente, os filmes indicados ao prêmio fazem parte da cultura mainstream.


LM: Como sétima arte, o cinema influencia também o mundo da comunicação. Como se dá a relação entre esses dois mundos?

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Selfie da apresentadora norte-americana Ellen DeGeneres, em 2014


EM:
Não podemos negar que o Oscar ainda é um grande evento de comunicação para a mídia e sua transmissão movimenta somas estratosféricas, pois é uma vitrine que garante exposição mundial. Há uma relação muito estreita entre a premiação, que oferece o espetáculo, e os meios de comunicação de massa. E, com as redes sociais, o evento tornou-se mais popular ainda. Quem não se lembra da selfie da Ellen DeGeneres? Foi o post mais replicado de 2014 no Twitter.

LM: Em 2014, o filme O Abutre – que teve apenas uma indicação ao Oscar – contou a história de um jornalista que corre atrás de histórias sensacionalistas. Você acha que títulos desse tipo podem levar a uma reflexão sobre o papel do jornalismo no mundo atual?

EM: Sim, a reflexão sobre o papel do jornalista na sociedade atual é de grande valia, mesmo que Hollywood ainda trate esse profissional como “Deus” ou o “Diabo”. Sempre há essa dicotomia em relação ao jornalista, mas, pessoalmente, gosto de bons filmes, com bons roteiros e argumentos que discutam o papel desse profissional na sociedade contemporânea.

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